Em resumo: diástase abdominal é a separação dos músculos retos do abdômen na linha média. Ela é comum na gestação e no pós-parto, e nem todo caso precisa de tratamento. A avaliação considera a distância entre os músculos, a função do abdômen e os seus sintomas. Os estudos com exercícios mostram efeitos modestos sobre a distância, por isso as metas devem ser individuais.
Muitas mulheres percebem uma elevação na linha média da barriga ao levantar da cama ou fazer força, e passam a temer os exercícios. A diástase merece avaliação quando incomoda ou limita a rotina, mas não precisa ser motivo de alarme. Este artigo explica o que é, como é avaliada e o que esperar da fisioterapia.
O que é diástase abdominal
Os músculos retos do abdômen ficam lado a lado, unidos por um tecido conjuntivo chamado linha alba. Durante a gestação, o crescimento do útero e as mudanças hormonais aumentam a distância entre eles. Essa adaptação é esperada, e a distância tende a diminuir ao longo do pós-parto, embora nem sempre retorne ao que era antes.
Com que frequência acontece
Em um estudo norueguês com mulheres em primeira gestação, publicado em 2016, a diástase foi identificada em cerca de 33% das participantes na 21ª semana de gestação, 60% seis semanas após o parto e 33% doze meses após o parto. Nesse mesmo estudo, mulheres com e sem diástase relataram quantidade semelhante de dor lombopélvica aos doze meses. A separação, sozinha, não explica todos os sintomas.
Como ela pode ser percebida
- elevação ou afundamento na linha média ao fazer força;
- sensação de abdômen sem firmeza;
- dificuldade em atividades que exigem força abdominal;
- incômodo com a aparência da barriga.
Dor lombar, perda de urina ou peso na pelve podem acontecer no pós-parto, mas não devem ser atribuídos automaticamente à diástase. Por isso, a avaliação também considera o assoalho pélvico.
Quer tirar uma dúvida antes de decidir?
Se você não tem certeza se a fisioterapia pélvica é indicada no seu caso, fale com a equipe e receba uma orientação inicial.
Como é a avaliação
A fisioterapeuta conversa sobre gestações, tipo de parto, sintomas, rotina e objetivos. Depois, avalia a distância entre os músculos em repouso e durante uma contração, o comportamento da linha alba e a forma como você respira e controla a pressão abdominal ao fazer esforço. O assoalho pélvico entra na avaliação, com qualquer etapa interna feita apenas com explicação e consentimento.
O que a pesquisa mostra
Uma revisão sistemática de 2014 concluiu, pela qualidade das evidências disponíveis, que exercícios não específicos podem ou não ajudar a prevenir ou reduzir a diástase. Uma meta-análise de 2023 encontrou redução pequena na distância entre os músculos com exercícios abdominais no pós-parto, de cerca de 0,4 cm em relação ao cuidado usual.
Na prática, a distância não é o único objetivo. O tratamento também pode buscar melhor função, conforto e segurança para retomar as atividades, embora os resultados variem de pessoa para pessoa.
O que o plano pode incluir
- Respiração e controle de pressão: coordenar abdômen, respiração e assoalho pélvico durante o esforço.
- Exercícios progressivos: escolhidos conforme a avaliação, com aumento gradual da carga.
- Assoalho pélvico: tratamento de fraqueza, tensão ou outros sintomas associados.
- Rotina com o bebê: orientações para levantar, carregar e amamentar.
- Retorno ao exercício: progressão conforme a atividade desejada.
Abdominais não são automaticamente proibidos, mas fazê-los sem orientação pode não ser a melhor estratégia para o seu caso. A cinta e os exercícios da internet também não substituem a avaliação. Se a cinta for considerada, a decisão deve ser individual.
Quando começar
No pós-parto, a fisioterapia costuma ganhar mais amplitude após a consulta de revisão com o obstetra, em geral entre seis e oito semanas. Também é possível procurar avaliação meses ou anos depois do parto. Em gestantes, o acompanhamento depende da liberação do obstetra.
Quando procurar o médico
Procure avaliação médica se houver:
- abaulamento doloroso ou que não volta ao repouso, o que pode indicar hérnia;
- dor abdominal intensa, náuseas ou vômitos;
- febre ou sinais de infecção na cicatriz;
- sintomas persistentes, se você quiser discutir a indicação de cirurgia com um cirurgião.
Avaliação em Brasília
Na Ative (Asa Sul), a diástase é avaliada dentro do acompanhamento de gestação e pós-parto, de forma individual e integrada à sua equipe obstétrica. Veja também fisioterapia pélvica no pós-parto.
Próximo passo: agendar uma avaliação
A avaliação permite entender sua condição e definir a melhor conduta. Se preferir, você pode iniciar o contato diretamente pelo WhatsApp.
Referências e diretrizes
- Sperstad JB et al. Diastasis recti abdominis during pregnancy and 12 months after childbirth: prevalence, risk factors and report of lumbopelvic pain. British Journal of Sports Medicine. 2016;50:1092-1096. Acessar
- Benjamin DR, van de Water ATM, Peiris CL. Effects of exercise on diastasis of the rectus abdominis muscle in the antenatal and postnatal periods: a systematic review. Physiotherapy. 2014;100(1):1-8. Acessar
- Conservative interventions for diastasis of the rectus abdominis in postnatal women: systematic review and meta-analysis. Physiotherapy. 2023;119:54-71. Acessar